Goodbye, halcyon days...


Segunda-feira , 15 de Dezembro de 2008


Dama da Noite

 

Dama da Noite

 

 

Numa dessas noites frias e estreladas, senti aquele cheiro mais uma vez. O ar inalado que preenchia meus pulmões como um bálsamo revigorava meu corpo desencadeando sentimentos  há muito latentes. Queria senti-lo sempre para todo o sempre.

 

Então, como uma torrente, pensamentos começaram a transbordar retratando o meu passado que já foi o meu presente mais querido. Recordei-me das viagens por aquelas estradas tão familiares, da paisagem que acompanhava o carro de mãos dadas como uma dócil amiga, das florestas que sempre tive medo, e de quando encostava o rosto no vidro e tentava notar o anoitecer fixando o olhar no firmamento que pouco a pouco ia tornando-se mais transparente e nítido para meu olhos pueris. Olhos que cintilavam não por causa do brilho das estrelas, mas pelo torpor causado pelo deleite de estar indo para lá novamente. Ainda não esqueci a sensação daquele estrondo repentino causado pelo término do asfalto que significava a passagem para as ruelas de terra e a iminente chegada àquele portão de madeira todo carcomido. O grande guardião que separava os meus dois universos. Ao transpô-lo, a Dama da Noite subjugava meu olfato e cheguei a cogitar se ela me atraia como uma armadilha atávica da mesma forma que atrai a mariposa vítima da natureza em sua constante polinização.

 

Um alarido longínquo e fui tirado de meu devaneio, estava sendo chamado por alguém nesta dimensão, neste presente, afastei-me com dificuldade e inebriado para continuar a vida.

 

 

Escrito por Kurt às 02:46:23 AM
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