Talvez tudo nesta vida seja trágico e efêmero.
Talvez tudo nesta vida seja trágico e efêmero.
Palpitadas inconstantes e suor frio. Já não me lembro de antes disso. Por que comecei? Por que me importo? Tudo parece me incomodar corroendo minhas entranhas. O sol no zênite me transmite desesperança assim como a tempestade calamitosa. Lá, bem no horizonte, vejo a linha de chegada, vejo a fita, mas não há ninguém aplaudindo. Penso ter feito um esforço inócuo, mas continuo correndo mesmo assim. Atinjo meu objetivo. Diminuo o ritmo. Reconhecimento nulo.
Não sou ovacionado, então não paro. Fecho os olhos e passo como se ali não fosse o fim. Meu pulmão queima, solicitando o que acha ser seu merecido descanso. Mas não vou parar, não posso, não enquanto estiver sob a visão deles. A dor física é substituída por uma melancolia impiedosa.
Digo pra mim mesmo repetidamente como um mantra: “Simplesmente não é aqui, continue”.
Mas não adianta, exaurido, tropeço em uma pedra bato a cabeça e caio vencido. Acordo perdido e só. O sangue escorre pelo meu rosto e escoriações pelo meu corpo ardem. Levanto-me apenas por levantar, não porque quis. Não pensei nisso. Olho ao meu redor e não vejo ninguém. Fico estranhamente feliz, não plenamente, mas naquele instante sim. Apenas por não terem visto minha queda. Tiro a terra de meus joelhos e volto a andar, não consigo ir mais rápido. Fui assolado pela dúvida, por que estava ali? Entretanto, continuava a andar como que automaticamente e sabia dentro de mim que voltaria a correr mais uma vez, mesmo sem saber o que me motivava naquele momento, mesmo sentindo no fundo do meu coração que poderiam ser fantasmas blasé na outra linha de chegada.
Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, Portuguese, English
MSN -